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domingo, 21 de janeiro de 2018

Poeta do clube mineiro, Ronaldo Bastos faz 70 anos com livre trânsito nas esquinas


Por Mauro Ferreira, G1

Basta um disco, não mais que um disco, um meio-disco, para entronizar Ronaldo Bastos como um dos mais importantes letristas da música do Brasil. Esse disco é o álbum duplo Clube da Esquina (1972), síntese orquestrada por Milton Nascimento com Lô Borges do movimento pop que emergia das Geraes naquele início dos anos 1970. Poeta nascido em 21 de janeiro de 1948, na cidade fluminense de Niterói (RJ), Bastos está lá, agregado aos mineiros de alma e/ou batismo assinando, com Milton Nascimento, músicas como Cais (1972) e Nada será como antes (1972), para citar somente as duas músicas mais importantes do álbum com versos de Bastos. O poeta completa hoje 70 anos, firme no posto de um dos letristas mais versáteis da canção popular do Brasil.

Ronaldo Bastos é letrista que entende, valoriza e respeita a força primordial das melodias. "Para mim, a melodia sempre foi a coisa mais importante numa canção. Servi com minhas palavras a parceiros de variados matizes melódicos e harmônicos, mas nunca deixei de perseguir obstinadamente o meu estilo. Considero realizada a missão de ter um estilo próprio e tenho orgulho de ter deixado a marca desse estilo em compositores de várias gerações", resumiu o poeta em julho de 2011.

Sim, Bastos firmou um estilo e nunca ficou restrito a um determinado clube ou nicho da música brasileira. Poderia ter se encostado no prestígio dos mineiros, com quem fez posteriormente músicas como Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1974), A página do relâmpago elétrico (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977), Cigarra (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1978), Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1978), A Via Láctea (Lô Borges e Ronaldo Bastos, 1979), O sal da terra (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1981) e Todo azul do mar (Flávio Venturini e Ronaldo Bastos, 1984), entre outras composições que atravessam gerações sem parar de ganhar admiradores. Mas Bastos foi além, se espraiando por outras águas.

Talvez os amantes do som do Clube da Esquina não identifiquem na letra de A força do amor (Cleberson Horsth e Ronaldo Bastos, 1987) a poesia de Bastos, mas ela está lá, diluída para consumo popular na letra dessa melodiosa balada pop lançada pelo Roupa Nova, grupo carioca que já tinha feito sucesso em 1985 com outra música de Cleberson Horsth letrada por Bastos, Seguindo no trem azul. Parceiro de time amplo de compositores, em leque que vai de Ed Motta a João Donato, passando por Celso Fonseca (com quem fez obra que gerou álbuns inteiros), Edu Lobo e Joyce Moreno, Bastos foi o nome que fez Gal Costa aceitar gravar em 1984 a balada Chuva de prata, composição de Ed Wilson letrada pelo poeta com versos melosos, mas nunca banais.

O mesmo poeta que letrou canções do Roupa Nova é o que escreveu os versos de Um certo alguém (1983) para sedutora melodia pop de Lulu Santos, citando sutilmente o ídolo Johnny Alf (1929 – 2010), compositor de Ilusão à toa (1961), canção preferida desse poeta que chega hoje aos 70 anos com livre trânsito entre as várias esquinas da multifacetada música popular brasileira.

In
https://g1.globo.com/musica
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Milton Nascimento & Lô Borges ‎– Clube Da Esquina (1972)

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