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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Portugal aposta em brasileiros para impulsionar universidades

Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra, em Portugal; 
instituição tem mais de 2.000 alunos brasileiros - Lalo de Almeida 

Giuliana Miranda
LISBOA

As universidades de Portugal —país com uma das taxas de natalidade mais baixas da Europa e uma população cada vez maisenvelhecida— estão apostando nos estudantes estrangeiros, sobretudo brasileiros, como forma de preencher as vagas ociosas.

Nos últimos dez anos, a quantidade de alunos internacionais em instituições portuguesas praticamente dobrou. Houve uma alta de 95%, segundo estatísticas do setor.

Os estudantes brasileiros lideram o ranking. São mais de 12,2 mil alunos: quase a mesma quantidade que têm, somados, os outros quatro países do top 5 —Angola, Espanha, Cabo Verde e Itália.

Os estrangeiros são também uma cobiçada fonte de receita. Desde 2014, as universidades, inclusive as públicas, podem cobrar valores mais carosdo que pagam os portugueses.

As instituições têm liberdade: algumas cobram o mesmo valor, enquanto outras praticam preços até sete vezes mais altos pelo mesmo curso.Mas essa diferença não tem retraído os brasileiros.

O consulado de Portugal em São Paulo registrou um aumento de mais de 35% na solicitação de vistos de estudante em 2017, e 2018 deve ter ainda mais pedidos. Com tanta demanda, a demora pela documentação aumentou. 

No ano passado, houve quem perdesse o início do ano letivo devido ao atraso no visto.As instituições de ensino, por sua vez, tentam facilitar cada vez mais a entrada dos brasileiros. Atualmente, 31 delas já aceitam o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).A vontade de atrair brasileiros também cria novos produtos de olho nesse público.

A Universidade Nova de Lisboa, por exemplo, lançou um pré-semestre acadêmico destinado ao mercado internacional, com muita ênfase nos estudantes brasileiros.

Espécie de "test drive" dos cursos e do ambiente universitário, o pré-semestre garante um período de orientação e aulas de adaptação antes de começar a graduação para valer.

A ideia é que os alunos tenham contato com o ambiente acadêmico da Europa e se familiarizem com os diferentes cursos e a realidade de Portugal antes de baterem o martelo sobre que curso fazer.

"É um processo muito menos traumatizante para o aluno. Isso é muito mais fácil do que ele estar no Brasil e se candidatar para uma coisa que ele não conhece, vir para cá e ter de ficar quatro anos aqui", diz o vice-reitor João Amaro de Matos.

Prestes a acabar seu pré-semestre, a carioca Carolina Nunes, 20, gostou de conhecer os cursos antes de se decidir.

"Eu gostei muito da experiência, porque a gente tem a oportunidade de conhecer e se adaptar um pouco mais antes de começar o curso para valer. Ainda mais por ser um país diferente e por ter uma forma de educação totalmente diferente da que nós temos no Brasil", diz.

Natural de Vinhedo (SP), Gustavo Schliemann, 20, diz que um dos pontos positivos foi também estar mais próximo dos polos de tecnologia da área que quer seguir.

"Quero fazer engenharia biomédica e isso é muito mais forte aqui na Europa do que no Brasil. Além disso, as empresas que contratam mesmo ficam principalmente aqui."

Pioneira na incorporação do Enem, em 2014, a Universidade de Coimbra é a mais brasileira entre as universidades estrangeiras. São mais de 2.000 alunos, entre graduação e pós-graduação.

Segundo a instituição, a demanda dos brasileiros pela universidade tem sido tão grande que quase 500 interessados não foram admitidos.
A Universidade do Algarve também tem uma comunidade brasileira expressiva: são mais de 600 estudando lá.

O número de brasileiros cresceu 59% de 2017 para 2018, sendo ainda mais acentuado nos mestrados: uma alta de cerca de 103%, em 35 cursos diferentes.

In https://www1.folha.uol.com.br










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