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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

“Experiências e Sentimentos” da Lusofonia em Macau


O realizador Carlos Fraga está de regresso ao território para filmar o quarto documentário da série “Macau, 20 anos depois”, desta vez focado na comunidade lusófona que aqui reside. Além de filmar o Festival da Lusofonia que junta pessoas dos vários países que falam a língua portuguesa, vão ser entrevistados dirigentes de associações para que a celebração no final de Outubro seja complementada com “algo humano”. A série deverá ficar concluída no próximo ano e em 2019 poderá tomar duas formas

Inês Almeida

Carlos Fraga está em Macau até ao final de Outubro para realizar o quarto documentário da série “Macau, 20 anos depois” que arrancou em 2015. Inicialmente, estavam previstos cinco documentários, no entanto, surgiu a possibilidade de se prolongar para seis.

O trabalho que começará a ser realizado em breve foca-se nas comunidades lusófonas. “Vamos estar centrados no Festival da Lusofonia, nas associações que estão envolvidas e que representam as diferentes comunidades”, contou o realizador ao Jornal TRIBUNA DE MACAU. Na lista de participantes estão incluídos representantes de 10 países e regiões lusófonas, sendo elas Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Damão e Diu, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

“Estou curioso para ver o que nos têm para dizer sobre a relação entre as diferentes comunidades, sobre como é que cada uma vive Macau, porque provavelmente não terão as mesmas vivências”, sublinhou Carlos Fraga manifestando a intenção de ter uma visão “o mais ampla possível”. Depois de abordar temas como os macaenses em Lisboa e os portugueses em Macau, “quase se impunha” um documentário sobre a Lusofonia na perspectiva de perceber “o que é que Portugal representa aqui, o que ficou dos 500 anos de história”, explicou o realizador.

Além de filmar o Festival da Lusofonia, Carlos Fraga irá entrevistar presidentes das associações representativas de cada uma das comunidades. “Tem de se humanizar. O espectador tem de perceber o perfil das pessoas, tem de entrar um bocadinho na vida delas. Não vamos só estar na festa que é uma manifestação onde as coisas acontecem para fora. Gostava de ir um bocadinho para dentro, portanto, vou tentar entrar na vida das pessoas que vamos entrevistar”, sublinhou o realizador.

Para Carlos Fraga é preciso complementar as imagens do Festival da Lusofonia “com algo humano, vivências, experiências, sentimento e emoções”. Isso vai ser conseguido a partir da entrevista.

O autor da série parte para este trabalho sem ter uma ideia clara sobre como cada comunidade vive a realidade de Macau, mas tem a sensação de que o faz “à sua maneira” embora “seja um sítio pequeno e onde as pessoas se relacionam”.

As filmagens começam já na próxima semana ou, “no máximo, na semana seguinte”. “Até final de Outubro temos tempo de fazer as coisas com uma certa calma. Saímos daqui no final de Outubro com tudo filmado e calculo que com a montagem demore mais um mês e meio”, indicou Carlos Fraga.

O documentário deverá depois ter uma ante-estreia em Macau e outra em Lisboa. “Não sei se faremos aqui [na Fundação Oriente] ou no auditório do Consulado, mas o que está previsto é exibi-lo primeiro aqui e depois uma ante-estreia em Lisboa e depois está garantida a exibição na TDM e na RTP estamos a negociar”.

Longa-metragem celebra 20 anos da RAEM

A realização de mais dois documentários para completar a série está dependente dos apoios financeiros “mínimos” e de ajudas ao nível logístico, no entanto, não terminar a série não é opção. “Termos um sexto documentário depende de uma gestão de apoio que se está a fazer que, em princípio, confiamos que venha e, nesse caso serão seis. Senão são os cinco inicialmente previstos”, sublinhou o realizador.

O quinto documentário vai debruçar-se sobre os macaenses em Macau e o sexto sobre os chineses do território. A ideia para este último é “ir a vários estratos sociais, etários, para ter variedade de opiniões e uma ideia mais aberta e ampla, indo falar com chineses sobre o que pensam do que foram estes 500 anos dos portugueses, os que são mais velhos. Os mais jovens podem dar a ideia de como vêem o futuro, se os portugueses vão continuar cá ou não e como convivem com eles”.

Para isso, a barreira linguística “vai ser um problema porque não dominamos nem cantonês nem mandarim”. No entanto, Carlos Fraga tem já soluções pensadas. “Em Portugal tivemos a assessoria de uma antropóloga que foi fundamental, falava mandarim, viveu na China dois anos, e era quem fazia de intérprete, além de fazer parte da origem do projecto”. Em Macau há também pessoas que podem ajudar.

“Outra hipótese é que temos nesta série um assessor, um antropólogo conhecido também, Carlos Piteira. Ele sim também fala cantonês e estamos a pensar, até mesmo por justiça porque esteve a acompanhar a série, que venha connosco para essas filmagens e seja ele a fazer o contacto com os chineses”.

A série deve ficar concluída em 2018. “O que se está a pensar é, em 2019, pegar na série e dar-lhe duas formas finais: uma, um pacote com os seis documentários, outra, fazermos uma longa-metragem com o resultados dos seis. E seria esse filme que, em princípio, em 2019 seria passado aqui, no âmbito das comemorações”, avançou o realizador em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU. “Esse filme, provavelmente, seria o evento de inauguração de um ciclo que passaria uma vez por semana ou todos os dias durante uma semana. A ideia é que, em 2019, faça parte das comemorações [dos 20 anos da RAEM] e ela está a ser bem recebida. Depois, fazemos o mesmo em Lisboa”, acrescentou.

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