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sábado, 26 de maio de 2018

Fechado em São Paulo, Museu da Língua Portuguesa viaja pela África


Naief Haddad

As expressões e os sotaques da língua portuguesa estão em viagem pela África.
O Museu da Língua Portuguesa e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil organizaram uma exposição recém-aberta na sede do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, na cidade de Praia, em Cabo Verde.

Depois da terra da cantora Cesária Évora (1941-2011), a mostra “A Língua Portuguesa em Nós” chega em junho a Luanda, em Angola, e desembarca em agosto em Maputo, em Moçambique.

Exposição 'A Língua Portuguesa em Nós'

O português é o idioma oficial (ou um deles) de seis países africanos. Além dos três mencionados, há Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
Os demais países lusófonos são Brasil e Timor-Leste, além, claro, de Portugal.

Para Santiago Irazabal Mourão, subsecretário de cooperação internacional, promoção comercial e temas culturais do Itamaraty, um dos desafios para o giro pela África é como conquistar o interesse do público de Cabo Verde, Angola e Moçambique.

Isso porque, embora seja língua oficial, o português não é o idioma mais popular nesses países. As línguas nativas ainda têm maior difusão.
Com o intuito de tornar a exposição atraente para públicos com outras referências culturais, os organizadores convidaram especialistas para fazer a curadoria. Entre eles, está o professor de literatura, ensaísta e compositor José Miguel Wisnik.

A exposição se divide em eixos como poesia e prosa, a história da língua portuguesa no Brasil e uma visão do idioma pelo mundo.
Segundo Mourão, o ponto alto é o módulo Falares, em que os visitantes vão deixar registrados depoimentos que passarão a integrar o acervo do Museu da Língua Portuguesa —a instituição paulistana tem reabertura prevista para o segundo semestre de 2019.

Outro destaque da exposição itinerante é a Praça da Língua, uma instalação audiovisual com trechos de poesias, romances e canções.
A música, aliás, aproxima o Brasil dos países africanos de língua portuguesa. De acordo com o embaixador, angolanos e moçambicanos, entre outros povos, tomam contato com a realidade brasileira por meio de músicas e novelas.
Para Mourão, no entanto, essa ligação não é suficiente. 

Segundo ele, os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) precisam conhecer melhor uns aos outros, o que traria ganhos culturais e econômicos. Pelo lado brasileiro, diz ele, “ainda são comuns os preconceitos ligados à pobreza africana, que não nos deixam atentar para como esses países estão se desenvolvendo”.

Com mais de 260 milhões de falantes, o português é a sétima língua mais falada do mundo segundo o instituto SIL International, responsável pelo Ethnologue,que abrange mais de 7.000 idiomas.

Angolanos em imagem que integra a exposição "A Língua Portuguesa em Nós" /Sérgio Guerra



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