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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Livro investiga o estado paralelo por trás da morte de Marielle


Quinta-feira passada, dia 14, completam três meses do assassinado da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, atingida por quatro tiros na cabeça. Até agora a polícia não esclareceu o crime de repercussão mundial, mas é inegável que Marielle morreu pelas mãos de agentes de um "estado paralelo", sustentado pelas organizações criminosas e que têm nos policiais corruptos o seu braço armado.

O livro reportagem "Rio sem Lei", com lançamento na noite de hoje (dia 13) em São Paulo, na livraria Cultura (Conjunto Nacional), revela as entranhas da máfia do jogo ilegal, do tráfico de drogas, das milícias e das narcomilícias, a nova facção resultante da associação de traficantes e milicianos.

Essas máfias criaram um poder paralelo tão forte que nem as Forças Armadas intimidam mais. Numa afronta à autoridade dos generais, os algozes de Marielle agiram algumas semanas após o governo decretar a intervenção federal no Rio de Janeiro. 

A polícia diz que os bandidos atiram com arma de uso restrito das instituições de segurança, assim como ocorreu sete anos atrás, em 2011, na execução da juíza Patrícia Acioli. Policiais militares foram presos e condenados pelo crime, mas a punição deles está longe de encerrar o caso. O estado de barbárie  que motivou os assassinos continua como antes.

"Rio sem Lei" não faz teorias, apresenta fatos. Com boas reportagens, a investigação jornalística narra em detalhes histórias sobre atrocidades em territórios dominados por bandidos, onde a vida de alguém vale menos que uma garrafa de uísque, como relata um dos capítulos. Nessa terra de barbáries,  policiais disparam a esmo por vingança porque não receberam "arrego", a propina paga pelo tráfico.  

"O livro descreve em detalhes como a corporação policial do estado do Rio de Janeiro foi minada pelo banditismo", resume Elvira Lobato, uma das jornalistas mais experientes e premiadas do país.    

Próximos  lançamentos:

Brasília
Dia 19 de junho, terça-feira, Livraria Leitura Alvorada Pátio Brasil (Shopping Pátio Brasil),  SCS Quadra 07 Bloco A, Piso 2- Asa Sul, Brasília - DF - A partir das 18h30

Rio de Janeiro
Dia 20, quarta-feira, Livraria Travessa Ipanema, Rua Visconde de Pirajá, 572 - Ipanema, Rio de Janeiro - RJ- A partir das 18h30

Rio sem lei
Como o Rio de Janeiro se transformou num estado sob o domínio de organizações criminosas, da barbárie e da corrupção política

A corrupção política, a máfia dos jogos, o tráfico de drogas e as narcomilícias criaram, com ajuda de policiais corruptos, um poder paralelo no Rio de Janeiro que intimida e elimina quem atravessa no seu caminho. 

Entre as vítimas estão a juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros na porta de casa, em 2011, e a vereadora Marielle Franco, executada com quatro tiros na cabeça, em 2018. O que já era uma guerra civil se transforma agora em conflito militar inédito na história do país. 

Pela primeira vez, desde a Constituição de 1988, houve intervenção das Forças Armadas na segurança pública de um estado. Ancorado em minuciosa investigação jornalística, esse livro revela como o Rio chegou a situação tão extrema.


LEIA O PRIMEIRO

O RIO EM GUERRA

A eletrizante história de como a corrupção e o crime levaram o Rio de Janeiro para o caos.

“Polícia é polícia. Bandido é bandido. Não devem se misturar, igual água e azeite”, alertou na década de 1970 o famoso assaltante de bancos Lúcio Flávio Vilar Lírio, assassinado após testemunhar contra policiais corruptos. 

O eletrizante livro de Hudson Corrêa e Diana Brito mostra que caminhamos acelerados na direção contrária à constatação óbvia, até para um bandido, de que a polícia não pode se misturar com criminosos. 

O livro descreve em detalhes como a corporação policial do estado do Rio de Janeiro foi minada pelo banditismo e como a bandidagem passou a impor suas leis. O assassinato da juíza Patrícia Acioli, com 21 tiros, em agosto de 2011, é um dos crimes esmiuçados e reconstituídos pela dupla de repórteres, que se debruçou também sobre o poder paralelo das milícias, do jogo do bicho e do narcotráfico. 

As cenas da agonia e morte de um jovem punido pelo traficante Fernandinho Beira-Mar que, por telefone, ordenou e acompanhou a tortura e a execução, são de tirar o fôlego. “Rio sem lei” é uma denúncia vigorosa da calamidade que se instaurou no Rio de Janeiro. – ELVIRA LOBATO, jornalista  

Diana Brito 
Diana Brito é jornalista desde 2005. Iniciou com bolsa de estudos no jornal universitário da extinta faculdade Gama Filho, na zona norte do Rio, cidade onde nasceu. Enfrentou tiroteios intensos nas ruas que rodeavam favelas locais para não faltar a universidade no turno da noite. Fez estágio numa rádio comunitária na favela Vila Cruzeiro com apoio da ONG Viva Rio. Passou pela TV Brasil, assessoria de imprensa do estádio do Maracanã, UOL, Globo.com e Canal Futura. 

Apesar de concluir pós-graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), continuou com o jornalismo diário. Trabalhou oito anos na Folha de S.Paulo, principalmente na cobertura de segurança pública. Revelou o desvio de armas e drogas durante a ocupação de favelas do Complexo do Alemão, no final de 2010. 

No ano seguinte, foi uma das primeiras repórteres a chegar ao local da tragédia provocada pelas chuvas, que mataram ao menos 1 mil pessoas na região serrana fluminense. Em 2015 mudou para a Inglaterra. Fez trabalhos para a BBC Brasil na sede da emissora na capital britânica. Cobriu pela Folha de S. Paulo os últimos ataques terroristas em Londres — em junho de 2017.

Hudson Corrêa 
Hudson Corrêa é jornalista desde 1993. Começou nos Diários Associados de Campo Grande (MS), cidade onde nasceu, e trabalhou no Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Folha de S.Paulo, revista ÉPOCA e O Globo. Autor de “Eleições na Estrada”, pela Publifolha, ganhou os prêmios Latinoamericano de Periodismo sobre Drogas (2012), Direitos Humanos da OAB-RS (2016 e 2017) e o Patrícia Acioli de Direitos Humanos, da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro (2017). Entre tantas denúncias publicadas, marcou a de que crianças indígenas morrem de fome em terras agrícolas.

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